terça-feira, 11 de março de 2008

Juno

    Juno, realizado por Jason Reitman e escrito por Diablo Cody, é o filme vencedor do Óscar para o Melhor Argumento Original de 2008. Este conta a história de uma rapariga que engravida em plena adolescência - fase do início da descoberta sexual - e de todo o processo que se segue, quando a medida tomada para resolver o problema não é, simplesmente, o aborto. 

  Juno, uma adolescente de 16 anos, não é uma rapariga comum: veste roupa de rapaz, estranha e ouve música alternativa. Está ironicamente definido o estereótipo de rapariga que facilmente engravidaria porque, supostamente, esta é apenas uma jovem do grupo das "sem-consciência". Apaixonou-se por Paulie Bleeker, um nerd para quem a maioria das raparigas não olharia, com quem teve relações sexuais desprotegidas. 
    É-nos apresentada a história da sua vida até então, sendo bastante relevante a separação dos pais e quais as relações que mantém com estes: vive com o pai e com a madrasta, com quem conserva uma relação saudável; já a mãe envia-lhe todos os anos, no dia de S. Valentim, um cacto. Juno reage sempre da mesma forma, ignorando a oferta, sendo por isso perceptível que a sua mãe não foi, de todo, uma boa mãe. 
    Depois de muitos testes, a adolescente depara-se com a realidade: está grávida. Após uma ida falhada a uma clínica de aborto, a solução seguinte é prosseguir com a gravidez e encontrar um casal de adopção. Para o propósito, numa revista que folheia com a amiga, encontra os pais perfeitos para a criança. Dá-se o encontro entre ambas as partes e fica estabelecido o acordo de que, após dar à luz, Juno entregaria o bebé. 
    A narração continua e, de um modo geral, descreve a relação da adolescente com os pais adoptivos da “sua” futura criança, nomeadamente da obsessão da mãe em ser mãe e da indisposição do pai em ser pai, fugindo apenas um pouco à realidade, pois surgem alguns imprevistos. 

    Aos olhos mais superficiais talvez se trate de uma banal comédia romântica sobre uma adolescente que engravida. No entanto, este filme aborda de uma forma bastante irónica toda a problemática levantada aquando deste momento. Um assunto sério e delicado, é visto de um modo simples, sem o dramatismo comum e inerente à situação. Feito de uma forma inteligente, é mais que um “pontapé” às ideias pré-concebidas da sociedade sobre a gravidez na adolescência. É toda uma forma alternativa de abordar o problema, despreocupada, sem tratá-lo de uma forma extremamente séria. 
    Para terminar, é de salientar a perspicácia da escolha do nome para a personagem principal do filme – Juno - pois é este o nome da deusa romana da fertilidade, do nascimento e do casamento, como se a jovem estivesse predestinada a ser uma mãe, neste caso, adolescente.

1 comentário:

Aline disse...

não vi o filme, mas a banda sonora está fantástica :)