segunda-feira, 17 de novembro de 2008

olho pela janela. vejo, entre gordos e magros, os putos a correr, a polícia na rua. leio pela quinquagésima vez a placa. o nome da rua, prioridade, café aberto, fotógrafo. penso nas inúmeras vezes que me senti em casa. penso como as saudades passaram a naturais. é só isso. ficar à espera do dia em que o avião parte, em que petrifico com o medo do regresso. é egoísta, é. não querer o regresso, no medo da saudade. olho novamente pela janela. vejo cavalos funerários, carros atrás. as luzes da prioridade ligaram. o sentimento de que as saudades passaram é falso. estão, simplesmente, omissas. relembro quantas vezes já me questionei se realmente teriam desaparecido e se me sinto bem aqui, ou se era só a sua omissão. choro. é cada vez mais portuguesa esta saudade, esta mágoa. conto os dias para o regresso, conto os dias para a volta, conto os dias para a mudança. e, depois, que mais dias contarei? sinto-me perdida na cidade, perdida no meu próprio quarto. não conto com a casa, essa não. olho mais uma vez pela janela. começa a ficar escuro, são quatorze horas e cinquenta e sete minutos. e, relembro: esta seria a hora do sol, a hora da espera. não aqui, no meu amado país.

domingo, 2 de novembro de 2008

são 21:21.
depressão profunda.