olho pela janela. vejo, entre gordos e magros, os putos a correr, a polícia na rua. leio pela quinquagésima vez a placa. o nome da rua, prioridade, café aberto, fotógrafo. penso nas inúmeras vezes que me senti em casa. penso como as saudades passaram a naturais. é só isso. ficar à espera do dia em que o avião parte, em que petrifico com o medo do regresso. é egoísta, é. não querer o regresso, no medo da saudade. olho novamente pela janela. vejo cavalos funerários, carros atrás. as luzes da prioridade ligaram. o sentimento de que as saudades passaram é falso. estão, simplesmente, omissas. relembro quantas vezes já me questionei se realmente teriam desaparecido e se me sinto bem aqui, ou se era só a sua omissão. choro. é cada vez mais portuguesa esta saudade, esta mágoa. conto os dias para o regresso, conto os dias para a volta, conto os dias para a mudança. e, depois, que mais dias contarei? sinto-me perdida na cidade, perdida no meu próprio quarto. não conto com a casa, essa não. olho mais uma vez pela janela. começa a ficar escuro, são quatorze horas e cinquenta e sete minutos. e, relembro: esta seria a hora do sol, a hora da espera. não aqui, no meu amado país.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
domingo, 2 de novembro de 2008
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
vou sair daqui. vou partir para um lugar que desejo melhor. tenho medo de me perder e, sobretudo, de que as coisas não corram bem. não durmo em condições. tenho certos problemas com a ansiedade. digamos que dizer certos problemas é suavizar toda a questão. não sei mesmo o que me espera. falam-me de contas e compras e, no fundo, tudo o que vejo é uma chuva de responsabilidade a cair-me em cima. requisitar moeda. comprar medicamentos. ir ao médico. pedir requisições. jantar de família. fazer as malas. são tudo decisões. decisões que espero não me vir a arrepender. wish me luck.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
domingo, 1 de junho de 2008
relembrar.

estou sentada na minha cama. penso nas inúmeras coisas que a última semana de aulas me traz: entre muitos trabalhos, começa a saudade. não costumo ser lamechas com estas coisas da escola, quando acabar, acabou. mas há sempre uma primeira vez para tudo - rewind. estou sentada na minha cama. começo a ter saudades. amanhã, segunda-feira. amanhã, ultima aula de imagem e som. amanhã, última aula de história. amanhã, última aula de geometria. as três deixam saudades, mas a que mais deixa é mesmo a primeira. posso dizer que este ano foi o da choradeira. foram semanas de stress, semanas de trabalho, semanas de não-saber-o-que fazer, semanas de trabalho, semanas de trabalho, choro, semanas de descanso. é o 12º ano, o último ano que passo na soares dos reis. os melhores 3 anos da minha vida? talvez sim, talvez não. (já estou como a 'outra': it depends) a clara sugeriu fazermos algo verdadeiramente artístico nesta última semana - a solução que eu encontrei foi uma performance no metro sobre a 3ª idade. ei-de lá chegar, eu sei, e quando isso acontecer os putos também me vão gozar. mas afinal, o que contou nestes 3 anos? não foram as velhinhas no autocarro, de manhã, a encostarem as mamas ou a empurrarem com o rabo e com as 1093059257897 sacas que levam? também, mas não só. estou a ficar com os sintomas dos geeks da filosofia "it depends". não sei como descrever a minha passagem na soares dos reis. foi um percurso fácil e difícil, com muitas desilusões mas também muitas alegrias. vou ter saudades de tudo. ainda não acabou e já as tenho.
(hoje é o dia da criança, e que feliz que eu sou, apesar dos 18)
segunda-feira, 26 de maio de 2008
o sentido disto e os pontos de vista.
gostava de avacalhar certas coisas. mas o meu gato não pára de miar.
terça-feira, 6 de maio de 2008
apple blossom.
hey little apple blossom
what seems to be the problem
all the ones you tell your troubles to
they don't really care for you
come and tell me what you're thinking
cause just when the boat is sinking
a little light is blinking
and i will come and rescue you
lots of girls walk around in tears
but that's not for you
you've been looking all around for years
for someone to tell your troubles to
come and sit with me and talk awhile
let me see your pretty little smile
put your troubles in a little pile
and i will sort them out for you
i'll fall in love with you
i think i'll marry you
white stripes.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
terça-feira, 11 de março de 2008
Juno

Juno, realizado por Jason Reitman e escrito por Diablo Cody, é o filme vencedor do Óscar para o Melhor Argumento Original de 2008. Este conta a história de uma rapariga que engravida em plena adolescência - fase do início da descoberta sexual - e de todo o processo que se segue, quando a medida tomada para resolver o problema não é, simplesmente, o aborto.
Juno, uma adolescente de 16 anos, não é uma rapariga comum: veste roupa de rapaz, estranha e ouve música alternativa. Está ironicamente definido o estereótipo de rapariga que facilmente engravidaria porque, supostamente, esta é apenas uma jovem do grupo das "sem-consciência". Apaixonou-se por Paulie Bleeker, um nerd para quem a maioria das raparigas não olharia, com quem teve relações sexuais desprotegidas.
É-nos apresentada a história da sua vida até então, sendo bastante relevante a separação dos pais e quais as relações que mantém com estes: vive com o pai e com a madrasta, com quem conserva uma relação saudável; já a mãe envia-lhe todos os anos, no dia de S. Valentim, um cacto. Juno reage sempre da mesma forma, ignorando a oferta, sendo por isso perceptível que a sua mãe não foi, de todo, uma boa mãe.
Depois de muitos testes, a adolescente depara-se com a realidade: está grávida. Após uma ida falhada a uma clínica de aborto, a solução seguinte é prosseguir com a gravidez e encontrar um casal de adopção. Para o propósito, numa revista que folheia com a amiga, encontra os pais perfeitos para a criança. Dá-se o encontro entre ambas as partes e fica estabelecido o acordo de que, após dar à luz, Juno entregaria o bebé.
A narração continua e, de um modo geral, descreve a relação da adolescente com os pais adoptivos da “sua” futura criança, nomeadamente da obsessão da mãe em ser mãe e da indisposição do pai em ser pai, fugindo apenas um pouco à realidade, pois surgem alguns imprevistos.
Aos olhos mais superficiais talvez se trate de uma banal comédia romântica sobre uma adolescente que engravida. No entanto, este filme aborda de uma forma bastante irónica toda a problemática levantada aquando deste momento. Um assunto sério e delicado, é visto de um modo simples, sem o dramatismo comum e inerente à situação. Feito de uma forma inteligente, é mais que um “pontapé” às ideias pré-concebidas da sociedade sobre a gravidez na adolescência. É toda uma forma alternativa de abordar o problema, despreocupada, sem tratá-lo de uma forma extremamente séria.
Para terminar, é de salientar a perspicácia da escolha do nome para a personagem principal do filme – Juno - pois é este o nome da deusa romana da fertilidade, do nascimento e do casamento, como se a jovem estivesse predestinada a ser uma mãe, neste caso, adolescente.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
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